009


nos anos 00 os cadáveres pararam de apodrecer
31 de dezembro de 2010, 4:55 pm
Filed under: Texto, Uncategorized | Tags: ,

então o negócio agora é botar pra feder pra alterar a tendência.

ou construir umas pirâmides de lego.

eu acho essa onda de vampirismo playmobil um tédio.

na minha paranóia de lego, chamaram a guarda portuária e um cara com um carrinho de brinquedo pra me pegar.

a cada esquina tem um maluco me observando. velho, jovem, a principio todos de camisa laranja. depois menina de bicicleta, velho de bengala, criança com cachorro, outros tipos, só pra disfarçar. velha com sacola é bom também.

procuro demais. mas não morro de medo. nem me sinto mal o tempo inteiro. dá pra acreditar?

os cachorros brigam. são cachorras. cachorrada. uma parece que está engessada. preta da pata branca, uma fera.

sei estórias que não lembro quem contou. são do meu avô para quem eu contar.

“mil novecentos e 2, dez, vinte, 30, 40, sabe como é, eram todos portugueses ou espanhóis, outra gente, tudo magrinho. o povo antigamente tinha outra força. hoje somos muito fracos, por causa da comida envenenada. antigamente carregavam 302kg pra mais. no ombro, no lombro, na cabeça e posso exagerar pro braço. era força sem gesso.” agora força é coisa de veado e tem preço.

mais alto que os pagamentos arredondados pra mais da companhia docas. sacanagem. ficava-se devendo quebrados redondos. ficava-se devendo.

e o céu em fúria nublava ou derramava, amarelava ou escurecia. essas mesmas pessoas com e sem uniforme passavam suas ruas, por suas vias. O céu é uma obrigação da paisagem. sacanagem.

todas as meninas são louras. todos os meninos tem o cabelo do neymar. todos são heróis, todas são gostosas. é assim que tem que ser. todo mundo tá certo.

irritantes são as moscas. mas parece que atrair moscas é humano e eu estou viva até que me expulsem do paraíso (de feras oxigenadas e prodígios da vila).

vinde a mim as moscas e eu as espantarei com os meus cigarros. fumar é humano e eu ainda estou viva.

não tem problema nem importância. a gente vai levando. carregando pra logo, no bolso.

aí nos acusam de frieza, morbidez, idiotice. e é difícil não morrer quando está escrito “vampiro” na nossa testa.

e tomara que a gente caia logo, com essa montanha de blocos de gelo na cara de um cabalista assustado, que vai dizer

“eita!”

e a gente

“ih.. pega nada!”

e ainda

“Feliz Ano Novo!”

Anúncios


em preguiça e cerveja
5 de maio de 2010, 7:38 pm
Filed under: Texto | Tags: ,

não é uma cor.

não tem vontade de aprender.

Não quer ser maior nem pior que é.

Quer simplesmente trair porque tem inclinação. Escrevo coisa com coisa? Uma hora chego lá. Ficar parada que não rola, mora?

Mora na piratologia. que, segundo P.L. Wilson, “é território exclusivo de amadores entusiastas.” Ou quem sabe de amantes entusiasmados.

Se eu tivesse uma lente de aumento ou uma diminuidora de distância, ficava olhando melhor quem está lá do outro lado.

Nego tudo que seja enfadonho.

E que não seja tão natural quanto coçar.

Estou num ritual estúpido de modorra, mora?

Gomorra. Mordaça, Maomé, Montanha, Mordomo

– Manda uma Antarctica, s’il vous plait?

Porra, quanto papo estúpido nessa universidade.

Aí li no muro da moradia, do lado da porra da padaria que não pode encher o meu cartão – só se eu começar a cagar em ouro, só se for!

“A universidade só iluminará os olhos do povo quando estiver em chamas!”

– Eu não sei mais o que seja povo, mas não sou eu quem vai sujar a paciência de escrever em bonitinho, pra professor assinar. –

Vainada!, uma vez tacado o fogo, vem a imprensa registrar. Vai sim. Só “ilumina os olhos do povo” o que está na televisão. No youtube também serve, paizinho. Ainda vão botar a culpa na ponta de algum maconheiro que no dia deu azar.

O Roberto Carlos nunca teve azar. Só uma vida de amargar.

“Uma viiida de amargor!” Que terrível. Mais valia uma vida de amor, a beleza das maravilhas! Chega.

Não gostando do produto desse exercício babaca.

Parece que no morro há pelo menos um sujeito que reconheço. mas careço da luneta! Ora porra, que maldição. Que preguiça de levantar daqui.

Mesmo que venham os guardas me pedir, a preguiça vai haver. A preguiça só termina quando acaba a cerveja, que não sou de mordomo nem nada.

Se eu tivesse um mordomo ia talvez me apaixonar por ele. E pedir que me lambesse os sapatos, depois que me mordesse os joelhos e então algum dia, ia acabar pisando meu coração.

Falta, falta mensagem.

E que tal essa loucura de Santos, que mais falsa não podia?

“Ah, meu passado, meu passadinho tão meu!”

Tive vontade de bater uma foto. O relógio está com ares de cor-de-rosa. Mas meu Ipod só pode filmar. Ai, essas tecnologias que só direcionam a vontade nossa.

Agora a pessoa que eu aparentemente conhecia está de mãos dadas com uma gorda. Então está feito: Não vou lá, porque pessoas de mãos dadas pretendem normalmente namorar e não tem tempo para antigos amigos entediados. Por outro lado, talvez seja melhor dar uma de desagradável do que se entediar. Eles me hão de entender e quem sabe perdoar.

Mas não, não quero perdão. Quero ser desagradável e pronto!

Vou lá. Não vou. Estou cheia de preguiça e a cerveja ainda tem um pouco..

______________

E se eu chegar mais perto e mesmo assim quem vejo não se parecer suficientemente com a pessoa que conheço a ponto de eu ter certeza de quem seja?

É pertinente registrar que estamos mais próximos agora, pois no momento da compra da nova lata, o lugar que me abrigava foi ocupado por outros, e o que é pior, estes sim, reconhecivelmente conhecidos. Ah não faz sentido? Elas me entediariam mais!, ponto.

Pronto, pronto, pronto! Alguém falava isso no passado. Talvez minha bisavó para a cachorra. Falava tanta coisa e a cachorra com aquele olhar burro de que não entendia nada mas ansiava avidamente ouvir.. parecia um pouco os estudantes dessa universidade em aula. Universidade pública! USP, viu? Não é uma Gislaine no vestido rosa não.

Isso é uma babaquice de época. A Gislaine não viverá! aí um macaquinho futuro vai digitar, ou ditar, ou mentalizar, ou fazer uma dancinha pro google, pro pós-google, evidente: “Gislaine vestido rosa” e vai achar esse mesmo texto meu, velho e estúpido, desde que não esteja proibido ou banido para uma categoria inferior de busca. E não vai der Gerusa nenhuma! O nome dela não é esse, e nem Gerturdes, ninguém sabe o nome dela ou se era rosa o que talvez tenha vestido.

Eu pertenço a uma categoria inferior de procura. Eu acho. Eu me acho. E boto banca.

Porque senão as pessoas iam pensar que podem dançar comigo no baile de carnaval.

Mas eu nem posso reconhecê-las dependendo da distância.

Procuro reconhecê-las pelo gesto e pela postura. mas o rosto, meu filho, muda!

Eu tenho pena de não reconhecer;

Quem sabe se soubesse melhor cumprimentar, davam trela pro meu afeto. Mas é que a distância, aliada da preguiça, às vezes produz males imprevistos. Pelo menos para mim, que sou uma criatura de inclinação amável.

Apesar de meu passado.

Estou nessa de passado e inclinação, mora? Mas não sai nada que não sairia mais fácil por baixo. Uma pena, um palpite, um pesar.