009


o vacilante Fernando Rosa
25 de março de 2010, 9:37 pm
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Eu é que.. ah, eu não falo disso, eu.. acho que não gostava muito dele.

Foi um tal negócio que, podem dizer que é bobagem, mas foi um negócio que me pegou.

Ele matou um passarinho. Maldade, maldade de menino. E eu dei-lhe uma surra, mas uma surra que a mãe ficou que olhando torto por um mês.

E ele jurava de pé junto que não tinha sido ele. Eu não acreditei. Eu não sei, se foi, se não foi, não faz mais diferença.

O que me incomoda é outra coisa: se, se!, eu tivesse acreditado nele, aí sim, seria outra história, totalmente diferente. Quem sabe.



maldita maldade
24 de fevereiro de 2010, 3:58 am
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Desde o começo de 2009 eu preparava na panela da cabeça uma comédia rechonchuda e cor-de-rosa que eu chamava de chanchada frente aos amigos que tinham paciência de me ouvir. Emperrada, eu comecei uma outra estória, um humilde roteiro de curta, que serviria para me iniciar na arte de escrever sequências visuais que apenas desfilavam em minha cabeça enquanto eu ditava palavras às mãos.

Incrivelmente, acabei por arrepiada e molhada no rosto com o que escrevi. Ontem o argumento. Hoje terminei a primeira versão de um roteiro que decerto o diabo soprou em meu ouvido, com a anuência de deus, pel’amor. Se eu ficar me preocupando, piro novamente. Não sei, senhor, de onde saiu essa idéia, nem como ela apareceu pronta, finita, terminada e eloquente. Eu juro, porém, que foi concebida por mim. Me perco. Em minhas anotações manuscritas, tenho uma única pista: Novo Roteiro, é o que diz, e a partir de então uma idéia fechadinha feito cu apreensivo. Foi aparentemente no carnaval. Escrevi a idéia essencial e a  deixei esperando minha próxima solidão. Deu certo. Mas não me lembro de seu nascimento, assim como não me lembro de minha primeira trepada (mas lembro muito bem do rapaz, faço a ressalva para que o moço não se ofenda!).

Hoje passei por um moicano que dormia no chão com uma grande cicatriz de punhalada nas costas magras. Fico arrepiada outra vez. Eu ia mostrar tudo, minha coluna apunhalada e minha dancinha comemorativa para das vizinhas que me pegaram de palco desde que me mudei. Mas agora fiquei muito mais caprichosa. Desço a persiana e passo creme nos pés esfolados de quando andei descalça na rua, que havaiana nenhuma aguenta meu trote alucinado. Descompromisso com a inteligência? Supimpa! Ponho na bolsa meu primeiro compacto duplo do Simonal e saio fazendo a fina. Tropeço lá na praça da Sé, de havaiana arregaçada. Que compro para os meus pés? Eles não se portam como partes normais de um corpo.

Queria uma comédia comovente, comemorativa. Pensei que estava numa viagem de ácido cabulosa. Eu queria/quero/quis uma trilha erásmica. As mais comoventes e bonitinhas canções de Erasmo Carlos, embalando a vida de jovens hypados, análogos às pessoas que se aproximaram de mim em 2009. Mas nunca contei com minha vida. Eu tinha um radar fortíssimo que deus me concedeu porque sabia que eu ia apitar, como filha de Oxóssi que nasci desta feita. E misticismo, haja 2009. Larguei meu Tarot em Santos, que ele já estava me tentando pegar de escrava.

Minha chanchada sai! Ah, sim. Sou uma pessoa positiva, fiquei sabendo no ano passado. Me contaram de gravação, no rádio, direto do além. Um dia explico, por enquanto deixo os incrédulos crendo em alguma minha insanidade para eu poder gargalhar umas risadas nesse ínterim. Eu mesmo acreditei em uma espécie de insanidade, complexo de grandeza e toda essa palhaçada lantejoula. Trilha erásmica? Ora, veja! Pelo menos ele não é propriamente o panetone da rede globo de televisão. Mesmo assim um probrema. Como é que filma com a música alheia? E eu queria uma casa que não existia. Pois acabei conhecendo algumas delas, de nome, de voz e de espaço. Daí parei na minha. Eu viciada em Jovem Guarda, o homem lança um CD preto duca, um livro de memórias que ganho no natal. Parei na minha, já disse. Sou pára-raio muito calibrado. Meu complexo de grandeza se justifica tanto quanto aquele do rapaz de 40 anos do livro de Dostoiévski, que aliás inaugurou meu 2009 estraçalhando minha inocência junto com aquele maldito Beckett, outro todo cabra furado de faca. Poxa, eu era antes tão empolgada com as pessoas e brigava por causa de cisma. Hoje sou tão serena que é possível que me acusem de falta de graça.

Arena Conta Zumbi:

“E você que me prossegue

E vai ver feliz a terra

Lembre bem do nosso tempo

Deste tempo que é de guerra

“Veja bem que preparando

O caminho da amizade

Não podemos ser amigos

Ao mal vamos dar maldade

“Se você chegar a ver

Essa terra de amizade

Onde o homem ajuda o homem

pense em nós só com bondade”

Edu Lobo:

“Só quem não sabe das coisas
é um homem capaz de rir
ah, triste tempo presente
em que falar de amor e flor
é esquecer que tanta gente
tá sofrendo tanta dor”


MALDITA VADIA está vivo. Tem horas de vida. E é negativo, que nem Exú de cueca suja. Mas taaaão engraçado.



“Sou uma mulher e não entendo nada”
18 de fevereiro de 2010, 1:05 am
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Vixe!!

Novo Roteiro: MALDITA VADIA

Sobre mulher de programa que vira garota fruta.

O Caetano falou que o homem é criança, a mulher é adulto. O Erasmo disse à mulher, ou pelo menos à dele:

“Na escola em que você foi ensinada

Jamais tirei um dez

Sou forte mas não chego aos seus pés…”

Não se fiem na opinião masculina*. Eles estão enfeitiçados.

E consideram tal posição mais do que conveniente, até porque a idade já lhes curva um pouco as costas.

..

A mulher é muito interessante afinal.

Enquanto uns trajam luvas de pelica, outros se gabam de passar o cerol na mão.

Muito bem! eu, antes de mulher, homem, ou figura bizarra, sou uma escritora nacional, coisa de muito respeito nesse mundão globalizado.

Meu começo é algo Memórias do Subsolo, segunda parte, quando o escroto narrador despreza uma jovem mulher-da-vida e a humilha em nome de sua própria e intransferível impotência.

A estória começa na intimidade do garoto intelectual e impotente que incutirá na cabeça de nossa jovem puta uma idéia que ela interpretará a seu modo. Não sei exatamente a idéia, uma idéia de liberdade. Ela, a princípio, exala dignidade. Vai sair do puteiro. Vai parar na casa de seu “libertador”.

Mas ele, é claro como a Lua, não a aceitará.

Ela então vai parar na rua. Mas é bonitinha e logo se dá bem. Se vai pegar homem rico, se recebe ajuda amiga, isto ainda vai-se saber.

Para o final, sobretudo, vai pegar um velho, que é praticamente um animal, e que vai botá-la na televisão. Ela é, a todo tempo, complacente com quem vem e lhe diz algo que consiga entender ou apreciar. Ela é a única, a imperdível MALDITA VADIA!

Este é um curta, ok? É novo, saiu da caneta agora, não me façam confusões.

É possível que escrevendo este vou ter coragem para o outro e principal. Quer saber? Não acho nada e que se foda.

Tem, tem sim e tem de ter como madrinha a pornochanchada, tão fodida escorraçada, cancerígena, satânica, “maldita-filha-da-ditadura-quá-quá”, explícita. Nada explícito: vícios, vários caras gozando, só as caras, bem nobre, vamos ver quanto tempo eles aguentam, vejamos então quem lhes parece escroto ou não.

As imagens de homens mil a gozar a gozar virão de uma perspectiva positiva da carreira da nossa grande puta, que de saída cai na ideinha de um subintelectual que acaba com ela. Os outros acabam com ela também, e daí? “Sou uma mulher e não entendo nada.”

Muito bem..

A princípio não temos o comprometimento de aludir ao romance de Dostoiévski, preciso antes apanhar meu exemplar em Campinas. Depois lhes descrevo o início que está por enquanto muito bem deliberado.

Começo a criar desde o momento em que a nossa jovem está na rua, graças à má acolhida de nosso subintelectual de plantão.

Ela avistará uma colega de profissão. Que será travesti. Todos travestis. Everybody.

Entrarão em carro. Coisa fenomenal, fora do sério. A coisa toda é ha-ha-ha se escapando pelos furos.

Mesmo assim se extrai, de um diálogo com colega travesti, que é possível levar a melhor na casa do ricaço.

Lá, como deve ser, está rolando uma festa smoking, como sempre, fenomenal. Onde há..

– Artistas da TV!

– Filhos e chegados dos artistas da TV!

– Os diretores, os patrões, os donos da TV! (os malvados)

Aplaudida em sucesso, nossa jovem prostituída chegará ao mais alto patamar da promiscuidade:

Vai foder com um cara, que nada mais é que um velho pica grossa, no sentido metafísico, que será uma verdadeira provação.

Violência, eu to falando, porrada na cara da puta., que tem aquela carinha de coitada.

Mas daí que ela retribui! Uma luta desgraçada. Cão com cão. Gato e gato. Uma desgraça verdadeira. Pura porrada.

Depois ela vai para a TV. Como? Ah, eu não sei. Mas o que acontece é uma transmissão de programa de auditório. Nossa protagonista será então figurante, mas mesmo assim nossa emoção. Ela sorri e faz gracinha para a câmera. Ah, que belezura das maravilhas. Alguém gosta dela, vá, senão nem aparecia no vídeo! Como ela é cativante, tão receptiva e sem emoção. Sabe, meu amigo, quem deseja é mulher dada.

– Você está desejando?

– Eu não, só estou comentando.

Ela, a MALDITA VADIA!!!, não deseja ninguém, nem consegue ainda, veja, não pode, tão rudimentar seu coração.

Rudimentar ainda será meu pensamento dentro de poucos anos. Mas hoje é impossível não comentar. Temos poucos documentos oriundos das mulheres, não é? Deixem que elas manifestem suas verdadeiras bobagens.

Hannah? Eu sei. Ela posou umas 200 vezes para fotos de nudez explícita. Não é ela?

*A opinião dos compositores é o único palpite masculino respeitado e aquiescido pelas mulheres brasileiras que preservam sua elegância e sua nudez. A minha ainda está por um triz.