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inconquistável
17 de abril de 2010, 9:28 pm
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Em minha Santos natal, folheio as Memórias Imorais do Eisenstein. Aconteceu de ontem assistir Outubro, uma pílula de incentivo à minha dolorosa saga “acadêmica” (uh), o pois o Trotsky, por bacana que escrevesse, tava é esfarelando minha paçoca. Tudo bom, tudo bem, por motivos mais fortes não terminei que assistir o Eisenstein, visto que eu chorava aos soluços há 35 minutos contados pelo programa de reprodução de vídeo – por vezes a sensibilidade atravessa a fronteira do ridículo. Ainda não estou preparada para falar sobre essa experiência, mas descobri que o cavalo branco pendurado na ponte elevada não chocou somente a mim, na segurança de minhas paredes.

Eu acho que deviam proibir a sonorização de uma porcentagem expressiva das fitas. Tem que constranger mesmo essa galera a aprender a fotografar. O Neville D’Almenida chama de cinema-mauricinho, eu tenho chamado pior. Fernando Meirelles é uma bosta. Murillo Salles é uma bosta. Bruno Barreto é o protozoário que mora dentro da bosta. Sérgio Biachi é uma ofensa a qualidade da palavra “brasileiro”, mas Daniel Filho ainda se esmera na proeza de ser o pior. Eu gostava do Walter Salles por causa de Terra Estrangeira, mas depois nunca mais voltou a acontecer. Tem que falar mal. Só pra começar. Tem que ficar falando mal mesmo. Acabar com essa cabacice de deixar quieto porque é brasileiro, porque é de exportação, como se aqui não tivesse o “muito melhor” que essa estética inconscientemente deslocada, sem o mínimo deboche, sem um nanometro, picometro (haha) de deboche. Por isso é que a única pica que eu contrato é a do Nelson Rodrigues, que aliás, como é bem sabido, é o único macho do mundo.

Chega de conversa mole,

INCONQUISTÁVEL

Em português claro, Arlete estava doida para dar. O noivo, tipo franzino e asmático, não comparecia ao ato, sempre alegando excesso de respeito pela cada vez mais desejosa Arlete. É verdade que ainda além disso, fosse a pequena também muito desejável, inclusive para as opiniões sempre muito contundentes e até ligeiramente rudes da mãe:

– Larga o osso, Arlete, está na cara que esse Fulano é viado!

Mas Anacleto também exibia algumas qualidades. Honesto, gentil e trabalhador, aparecia religiosamente pela manhã, de Wolks, no portão da noiva, para levar Arlete até o escritório, emprego que a pequena contraiu recentemente, tendo convencido Anacleto de que com a ajuda deste suado dinheirinho, mais depressa se uniriam em matrimônio, condição capital para que o sujeito liberasse a mixaria, que Arlete ansiava avidamente.

(…)

Coqueiro verde

Tomba mas não cai

A moça que se casa

Não namora mais

Se ela namorar

O coqueiro tomba e cai

Au-au



Lésbica! E Daí?
6 de abril de 2010, 5:32 am
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ou Dead Girls Don’t Say No

Estou me aperfeiçoando na arte da fuleragem!

Noutro trecho do livro de Mautner que estou lendo, ele diz que quando foi levado ao Dops, em ocasião da censura de um livro seu finalmente liberado após apreciação e aprovação oficial, lhe sugeriram uma entrevista com um psiquiatra, já que sua ficha o classificava como nazista e até comunista. Curioso ainda mais em se tratando de um indivíduo de ascendência judaica, que emite a respeito de si a teoria de que carregaria no corpo “informação de código genético que incluía malabarismos pós-campos de concentração.” Eu ainda não emiti minha opinião, veja lá!

Na faculdade procurei sem sucesso amigos. Estão por se formar, chove, sabe lá o que acontece. Passei tempo demais distante da USP. Tempo que me fez bem demais, é notável. É possível que não o saiba quem me acompanha recentemente: Sou aluna do curso de História, que frequento sem nenhuma assiduidade ou brilho desde 2006, ou, muito melhor, desde que saí da escola, ou, muito maior, desde que saí de casa, ou, muito pior, desde que vivo nesse paraíso de “dores e delícias” que é São Paulo Capital – do mundo. Que bonito eu querendo esclarecer minha vida, confesso moderada surpresa.

Amigos procurava, mas também a maconha, pois que “só ela me traz beleza nesse mundo de incertezas”. No ex-caixote, finado escritório, conheci uns bixos da Geografia, que é o nome preconceituoso que a gente coloca nos alunos que ingressaram na faculdade depois de nós e em outro curso que julgamos inferior por vaidade de natureza puramente ignorante. Diziam os moços umas coisas que eu reproduzo por vocês não lhes saberem os nomes, assim como nem eu, que por vício esqueci. Desconhece-se igualmente se tenho eu algum contrato com a verdade, atributo dispensável a uma pessoa que não evita se passar por ambígua e mentirosa.

O mais cabiludo deles, muito orgulhoso: “Semestre passado não fiz nada. Eu pra mim a faculdade tinha que ser um lugar de mais crise – essa é a palavra que elucida minha reprodução fiel do discurso do rapaz, eu, pro meu gosto, punha logo um revolta!, que sou uma peça meio canalha – Sabe, Fulano, a gente não devia baixar a cabeça pra ideologia burguesa dos nossos pais. Se eles chegaram a São Paulo, temos que chegar até a universidade, quando muitas vezes não é o que queríamos.”

Ele queria crise.

O mais velho, divertido, disse: “E a gente ainda não vai querer estudar, numa sociedade que quer nos ver estendidos na rua, mendigando de fome?”

Eu acho engraçado. Que um acha que faz parte da sociedade, o outro acha que não faz. E dá pra aplicar isso aos dois. Não sei de que modo se entenderam. Mas concordaram rapidamente, enquanto passavam o baseado.

Mas isso foi depois que eu fui ao banheiro.

E eu não vou falar mais nada, com medo que a coisa já fique redundante. “Deus nos livre dos castigos das mulheres” Eu vos livro da minha opinião.



“Sou uma mulher e não entendo nada”
18 de fevereiro de 2010, 1:05 am
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Vixe!!

Novo Roteiro: MALDITA VADIA

Sobre mulher de programa que vira garota fruta.

O Caetano falou que o homem é criança, a mulher é adulto. O Erasmo disse à mulher, ou pelo menos à dele:

“Na escola em que você foi ensinada

Jamais tirei um dez

Sou forte mas não chego aos seus pés…”

Não se fiem na opinião masculina*. Eles estão enfeitiçados.

E consideram tal posição mais do que conveniente, até porque a idade já lhes curva um pouco as costas.

..

A mulher é muito interessante afinal.

Enquanto uns trajam luvas de pelica, outros se gabam de passar o cerol na mão.

Muito bem! eu, antes de mulher, homem, ou figura bizarra, sou uma escritora nacional, coisa de muito respeito nesse mundão globalizado.

Meu começo é algo Memórias do Subsolo, segunda parte, quando o escroto narrador despreza uma jovem mulher-da-vida e a humilha em nome de sua própria e intransferível impotência.

A estória começa na intimidade do garoto intelectual e impotente que incutirá na cabeça de nossa jovem puta uma idéia que ela interpretará a seu modo. Não sei exatamente a idéia, uma idéia de liberdade. Ela, a princípio, exala dignidade. Vai sair do puteiro. Vai parar na casa de seu “libertador”.

Mas ele, é claro como a Lua, não a aceitará.

Ela então vai parar na rua. Mas é bonitinha e logo se dá bem. Se vai pegar homem rico, se recebe ajuda amiga, isto ainda vai-se saber.

Para o final, sobretudo, vai pegar um velho, que é praticamente um animal, e que vai botá-la na televisão. Ela é, a todo tempo, complacente com quem vem e lhe diz algo que consiga entender ou apreciar. Ela é a única, a imperdível MALDITA VADIA!

Este é um curta, ok? É novo, saiu da caneta agora, não me façam confusões.

É possível que escrevendo este vou ter coragem para o outro e principal. Quer saber? Não acho nada e que se foda.

Tem, tem sim e tem de ter como madrinha a pornochanchada, tão fodida escorraçada, cancerígena, satânica, “maldita-filha-da-ditadura-quá-quá”, explícita. Nada explícito: vícios, vários caras gozando, só as caras, bem nobre, vamos ver quanto tempo eles aguentam, vejamos então quem lhes parece escroto ou não.

As imagens de homens mil a gozar a gozar virão de uma perspectiva positiva da carreira da nossa grande puta, que de saída cai na ideinha de um subintelectual que acaba com ela. Os outros acabam com ela também, e daí? “Sou uma mulher e não entendo nada.”

Muito bem..

A princípio não temos o comprometimento de aludir ao romance de Dostoiévski, preciso antes apanhar meu exemplar em Campinas. Depois lhes descrevo o início que está por enquanto muito bem deliberado.

Começo a criar desde o momento em que a nossa jovem está na rua, graças à má acolhida de nosso subintelectual de plantão.

Ela avistará uma colega de profissão. Que será travesti. Todos travestis. Everybody.

Entrarão em carro. Coisa fenomenal, fora do sério. A coisa toda é ha-ha-ha se escapando pelos furos.

Mesmo assim se extrai, de um diálogo com colega travesti, que é possível levar a melhor na casa do ricaço.

Lá, como deve ser, está rolando uma festa smoking, como sempre, fenomenal. Onde há..

– Artistas da TV!

– Filhos e chegados dos artistas da TV!

– Os diretores, os patrões, os donos da TV! (os malvados)

Aplaudida em sucesso, nossa jovem prostituída chegará ao mais alto patamar da promiscuidade:

Vai foder com um cara, que nada mais é que um velho pica grossa, no sentido metafísico, que será uma verdadeira provação.

Violência, eu to falando, porrada na cara da puta., que tem aquela carinha de coitada.

Mas daí que ela retribui! Uma luta desgraçada. Cão com cão. Gato e gato. Uma desgraça verdadeira. Pura porrada.

Depois ela vai para a TV. Como? Ah, eu não sei. Mas o que acontece é uma transmissão de programa de auditório. Nossa protagonista será então figurante, mas mesmo assim nossa emoção. Ela sorri e faz gracinha para a câmera. Ah, que belezura das maravilhas. Alguém gosta dela, vá, senão nem aparecia no vídeo! Como ela é cativante, tão receptiva e sem emoção. Sabe, meu amigo, quem deseja é mulher dada.

– Você está desejando?

– Eu não, só estou comentando.

Ela, a MALDITA VADIA!!!, não deseja ninguém, nem consegue ainda, veja, não pode, tão rudimentar seu coração.

Rudimentar ainda será meu pensamento dentro de poucos anos. Mas hoje é impossível não comentar. Temos poucos documentos oriundos das mulheres, não é? Deixem que elas manifestem suas verdadeiras bobagens.

Hannah? Eu sei. Ela posou umas 200 vezes para fotos de nudez explícita. Não é ela?

*A opinião dos compositores é o único palpite masculino respeitado e aquiescido pelas mulheres brasileiras que preservam sua elegância e sua nudez. A minha ainda está por um triz.