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Lésbica! E Daí?
6 de abril de 2010, 5:32 am
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ou Dead Girls Don’t Say No

Estou me aperfeiçoando na arte da fuleragem!

Noutro trecho do livro de Mautner que estou lendo, ele diz que quando foi levado ao Dops, em ocasião da censura de um livro seu finalmente liberado após apreciação e aprovação oficial, lhe sugeriram uma entrevista com um psiquiatra, já que sua ficha o classificava como nazista e até comunista. Curioso ainda mais em se tratando de um indivíduo de ascendência judaica, que emite a respeito de si a teoria de que carregaria no corpo “informação de código genético que incluía malabarismos pós-campos de concentração.” Eu ainda não emiti minha opinião, veja lá!

Na faculdade procurei sem sucesso amigos. Estão por se formar, chove, sabe lá o que acontece. Passei tempo demais distante da USP. Tempo que me fez bem demais, é notável. É possível que não o saiba quem me acompanha recentemente: Sou aluna do curso de História, que frequento sem nenhuma assiduidade ou brilho desde 2006, ou, muito melhor, desde que saí da escola, ou, muito maior, desde que saí de casa, ou, muito pior, desde que vivo nesse paraíso de “dores e delícias” que é São Paulo Capital – do mundo. Que bonito eu querendo esclarecer minha vida, confesso moderada surpresa.

Amigos procurava, mas também a maconha, pois que “só ela me traz beleza nesse mundo de incertezas”. No ex-caixote, finado escritório, conheci uns bixos da Geografia, que é o nome preconceituoso que a gente coloca nos alunos que ingressaram na faculdade depois de nós e em outro curso que julgamos inferior por vaidade de natureza puramente ignorante. Diziam os moços umas coisas que eu reproduzo por vocês não lhes saberem os nomes, assim como nem eu, que por vício esqueci. Desconhece-se igualmente se tenho eu algum contrato com a verdade, atributo dispensável a uma pessoa que não evita se passar por ambígua e mentirosa.

O mais cabiludo deles, muito orgulhoso: “Semestre passado não fiz nada. Eu pra mim a faculdade tinha que ser um lugar de mais crise – essa é a palavra que elucida minha reprodução fiel do discurso do rapaz, eu, pro meu gosto, punha logo um revolta!, que sou uma peça meio canalha – Sabe, Fulano, a gente não devia baixar a cabeça pra ideologia burguesa dos nossos pais. Se eles chegaram a São Paulo, temos que chegar até a universidade, quando muitas vezes não é o que queríamos.”

Ele queria crise.

O mais velho, divertido, disse: “E a gente ainda não vai querer estudar, numa sociedade que quer nos ver estendidos na rua, mendigando de fome?”

Eu acho engraçado. Que um acha que faz parte da sociedade, o outro acha que não faz. E dá pra aplicar isso aos dois. Não sei de que modo se entenderam. Mas concordaram rapidamente, enquanto passavam o baseado.

Mas isso foi depois que eu fui ao banheiro.

E eu não vou falar mais nada, com medo que a coisa já fique redundante. “Deus nos livre dos castigos das mulheres” Eu vos livro da minha opinião.



perdão tropical
29 de março de 2010, 10:29 pm
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Só porque fazia tempo que eu não punha minha cara pra falar as palavras alheias.

ERRATA: O festival que classificou Pra Não Dizer Que Não Falei das Flores como segunda colocada é o III, para que não haja confusão entre os abusivamente letrados.

Me perdoem qualquer coisa.

Mas não quero o perdão divino. Do vizinho fanático que passou um envelope pela minha porta. “À moradora Hana do 52″. Continha um panfleto evangélico, que rasguei assustada. Seria esse um resultado de possessão diabólica? Não acho muito engraçado. A preocupação alheia com minha vida me ofende e afronta. Quem deixou o tal vizinho fazer planos para mim? Compreendo a “boa intenção”, mas somente se o autor do ato não compreender o quão autoritária e preconceituosa ela é. Sei que estava o envelope junto à minha porta e justo a ela e não a alguma outra, por ser eu a moradora “Hana” do 52. O que levou o prestativo senhor a concluir que é seu papel me oferecer o caminho de Jesus? O sexo, as drogas ou o rock’n’roll?

Pensei em deixar-lhe um recado, cerimonioso, sugerindo que respeite os hábitos de uma jovem artista em ebulição física e espiritual. Depois pensei em convidá-lo, pessoalmente, para uma gira de umbanda, mesmo eu nunca tendo frequentado esta, aquela ou qualquer igreja. Que tal ele se sairia?

E eu que quero sair para a aula e esta chuva não deixa? Careço de guarda-chuva e me aparece jesus cristo. Nada mais impróprio, ora essa.

“O meu destino
Foi traçado no baralho
Não fui feito para trabalho
Eu nasci pra batucar
Eis o motivo
Que do meu viver agora
A alegria foi-se embora
Pra tristeza vir morar” (Noel Rosa & René Bittencourt)