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contra o 3d (PARTE I)
9 de março de 2010, 11:25 pm
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Pouco tenho lido jornais. Os “segundos cadernos” estão muito aquém daquilo que posso ver – são os meus olhos – da janela de minha casa, da janela do ônibus, da janela do windows, que seja!, que é a minha correspondência, meu telefone, minha biblioteca, minha discoteca e minha cinemateca, por que não? Cinema. E agora o cinema 3D, com vocês, ressucitado sei lá de que inferno depois de não empolgar muito nos anos 80 e 90 do século passado, segundo ouso me recordar, pois não encontro informações a esse respeito. Estou falando de “cineminha” com aqueles tecnoglasses vermelho/azul que existem sei lá há quantos mil anos. Lembra daqueles calendários com imagens para as quais se você olhasse fixamente durante não sei quanto tempo, via uma flor, um barato de mexendo, um caralho de asa? Eu era criança e aquilo virou moda. Por menos de ano. Bicho, nem as crianças achavam aquilo legal! “Tá, eu vi. Pronto. Acabou?” “Ai, meu beeem, mas é diferente. O “avatar” tem uma tecnologia suuuper não sei quê.” Essa tecnologia já existe há muito tempo e não me interessa se foi aprimorada, pois as grandes descobertas nunca (jamais!) precisaram do aperfeiçoamento técnico antes de se tornarem de uso corrente. Se está havendo algum tipo de inversão? Perfeitamente. Há um empreendimento milionário promovendo essa “produção”, que é, logicamente, restrita a quem detém a dita tecnologia 3D – no caso, o gênero humano, segundo penso – que, anacronicamente, não é difícil de se supor, se manterá inacessível por longas décadas, através de propaganda, merchandising, essas coisas que as pessoas compram naturalmente porque está para vender. Eu não vi, não quero ver e se acontecer que algum desgraçado me mostrar um bicho azul holográfico, eu vou gritar, eu vou ficar com medo que nem o índio quando viu a galinha portuguesa. Não interessa se a história é boa – aliás, não é.

Todos os elementos da natureza nos mostram, um a um ou todos ao mesmo tempo que o desequilíbrio ecológico gerado pelo avanço industrial e pela sobreposição de necessidades desnecessárias do atual modo de produção. Pode me chamar de exotérica, pode me chamar de marxista, ecologista (ecologia, vagabundo, não é sustentabilidade o nome não!), pode, pode, pode. Eu nunca disse que não podia. Aliás, a ideologia híbrida, cumulativa é seguramente um dos únicos apontamentos firmes que temos a respeito do pensamento do homem de nosso tempo. Enquanto isso, homens (?) jogam bombas na Lua. Eu assumo aqui minha posição radical: eu acho que quem jogar uma bomba na Lua, bem como todos os envolvidos, incluindo cúmplices involuntários que não hajam tentado impedir tamanha monstruosidade deveriam ser sumariamente executados. Soou muito soviético? Pois bem, troquemos um verbo por um que nos é mais familiar e caro: tem que torturar esses filhos da puta. A Lua é a coisa mais linda que existe e frequenta nosso pobre céu para ser amada e contemplada. Escreva um poema, componha uma canção, bata punheta pra Lua, mas pelo amor, não jogue uma bomba nela. A tecnologia usada para destruir a Lua será a mesma da Era do 3D. Imaginem essa época apocalíptica. E as ruas desertas. As ruas serão desertas sim, porque elas são perigosíssimas! As ruas só estão tomadas por causa da indústria automobilística. Mas certamente alguém já foi contratado para tramar o que irá substituí-la quando acabar o petróleo e as distâncias. Um cara, saudável, sozinho, em casa, vai a Paris, pobre Paris sem seus turistas. Mudaram-se para suas casas. E se a ficção é 3D, será a realidade 4D, ou mp6? .

– Eu vou continuar depois, tenho muito brasa ainda. E estou na febre do desabafo. Eu preciso ver a rua, são meus os olhos.

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