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em preguiça e cerveja
5 de maio de 2010, 7:38 pm
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não é uma cor.

não tem vontade de aprender.

Não quer ser maior nem pior que é.

Quer simplesmente trair porque tem inclinação. Escrevo coisa com coisa? Uma hora chego lá. Ficar parada que não rola, mora?

Mora na piratologia. que, segundo P.L. Wilson, “é território exclusivo de amadores entusiastas.” Ou quem sabe de amantes entusiasmados.

Se eu tivesse uma lente de aumento ou uma diminuidora de distância, ficava olhando melhor quem está lá do outro lado.

Nego tudo que seja enfadonho.

E que não seja tão natural quanto coçar.

Estou num ritual estúpido de modorra, mora?

Gomorra. Mordaça, Maomé, Montanha, Mordomo

– Manda uma Antarctica, s’il vous plait?

Porra, quanto papo estúpido nessa universidade.

Aí li no muro da moradia, do lado da porra da padaria que não pode encher o meu cartão – só se eu começar a cagar em ouro, só se for!

“A universidade só iluminará os olhos do povo quando estiver em chamas!”

– Eu não sei mais o que seja povo, mas não sou eu quem vai sujar a paciência de escrever em bonitinho, pra professor assinar. –

Vainada!, uma vez tacado o fogo, vem a imprensa registrar. Vai sim. Só “ilumina os olhos do povo” o que está na televisão. No youtube também serve, paizinho. Ainda vão botar a culpa na ponta de algum maconheiro que no dia deu azar.

O Roberto Carlos nunca teve azar. Só uma vida de amargar.

“Uma viiida de amargor!” Que terrível. Mais valia uma vida de amor, a beleza das maravilhas! Chega.

Não gostando do produto desse exercício babaca.

Parece que no morro há pelo menos um sujeito que reconheço. mas careço da luneta! Ora porra, que maldição. Que preguiça de levantar daqui.

Mesmo que venham os guardas me pedir, a preguiça vai haver. A preguiça só termina quando acaba a cerveja, que não sou de mordomo nem nada.

Se eu tivesse um mordomo ia talvez me apaixonar por ele. E pedir que me lambesse os sapatos, depois que me mordesse os joelhos e então algum dia, ia acabar pisando meu coração.

Falta, falta mensagem.

E que tal essa loucura de Santos, que mais falsa não podia?

“Ah, meu passado, meu passadinho tão meu!”

Tive vontade de bater uma foto. O relógio está com ares de cor-de-rosa. Mas meu Ipod só pode filmar. Ai, essas tecnologias que só direcionam a vontade nossa.

Agora a pessoa que eu aparentemente conhecia está de mãos dadas com uma gorda. Então está feito: Não vou lá, porque pessoas de mãos dadas pretendem normalmente namorar e não tem tempo para antigos amigos entediados. Por outro lado, talvez seja melhor dar uma de desagradável do que se entediar. Eles me hão de entender e quem sabe perdoar.

Mas não, não quero perdão. Quero ser desagradável e pronto!

Vou lá. Não vou. Estou cheia de preguiça e a cerveja ainda tem um pouco..

______________

E se eu chegar mais perto e mesmo assim quem vejo não se parecer suficientemente com a pessoa que conheço a ponto de eu ter certeza de quem seja?

É pertinente registrar que estamos mais próximos agora, pois no momento da compra da nova lata, o lugar que me abrigava foi ocupado por outros, e o que é pior, estes sim, reconhecivelmente conhecidos. Ah não faz sentido? Elas me entediariam mais!, ponto.

Pronto, pronto, pronto! Alguém falava isso no passado. Talvez minha bisavó para a cachorra. Falava tanta coisa e a cachorra com aquele olhar burro de que não entendia nada mas ansiava avidamente ouvir.. parecia um pouco os estudantes dessa universidade em aula. Universidade pública! USP, viu? Não é uma Gislaine no vestido rosa não.

Isso é uma babaquice de época. A Gislaine não viverá! aí um macaquinho futuro vai digitar, ou ditar, ou mentalizar, ou fazer uma dancinha pro google, pro pós-google, evidente: “Gislaine vestido rosa” e vai achar esse mesmo texto meu, velho e estúpido, desde que não esteja proibido ou banido para uma categoria inferior de busca. E não vai der Gerusa nenhuma! O nome dela não é esse, e nem Gerturdes, ninguém sabe o nome dela ou se era rosa o que talvez tenha vestido.

Eu pertenço a uma categoria inferior de procura. Eu acho. Eu me acho. E boto banca.

Porque senão as pessoas iam pensar que podem dançar comigo no baile de carnaval.

Mas eu nem posso reconhecê-las dependendo da distância.

Procuro reconhecê-las pelo gesto e pela postura. mas o rosto, meu filho, muda!

Eu tenho pena de não reconhecer;

Quem sabe se soubesse melhor cumprimentar, davam trela pro meu afeto. Mas é que a distância, aliada da preguiça, às vezes produz males imprevistos. Pelo menos para mim, que sou uma criatura de inclinação amável.

Apesar de meu passado.

Estou nessa de passado e inclinação, mora? Mas não sai nada que não sairia mais fácil por baixo. Uma pena, um palpite, um pesar.



conforto
22 de abril de 2010, 5:57 pm
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conforto, não consolo.

não vou fazer poesia

ontem o Jô Soares, na tela plana de um boteco,

me provava que e eu vivia em meu país, ainda em meu tempo.

ufa!

eu sou um produto da televisão brasileira

que não assiste nem tem tv em casa.

isso sim é tema de análise.

do país



videozinhos
20 de abril de 2010, 9:10 pm
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segundo post do dia. graças a minha incapacidade de concisão? necas. esse é um outro defeito, incontemplado no dia, que deu direito a tantos outros.

saca só: meu prédio é cinematográfico. uma banda ensaiava e parará-pim-pim. saí filmado um ensaio fabuloso. filmei só que não estava gravando. estrago. lamentei que o ensaio estava findo. e fiquei bem, pois a vida é assim mesmo.

de repente a banda volta. como sempre as surpresas vem para nos fazerem bem. u-au!

mas caralho, minha gente!, essa é a graça: o quanto fiquei sem graça e depois ri. devia ter filmado o maninho reclamando do som, que eu, agradada, registrava espontaneamente.

Não, não vai dar pra entender direito. Mas eu sou cabaça mesmo, acreditem em minha avaliação.

Essa mina não tem o que fazer? Sim, ela tem, eis sua desgraça: sou uma pessoa querida, aliás me amam, tenho faculdade e trabalhos para criar, isso aqui não é mais férias. Achei um vídeo cá, esse sim filho das últimas férias, minha fase transição da palavra pra a imagem afrescalhada. Uma baboseira sem limite. Só aturam assistir porque eu sou bonitinha. Queria ver se eu fosse feiosa e cheirasse a porco.

Você vive na babaquice? Não, eu estava resenhando, por obrigação, um livro adorável, que eu escolhi!! A vida, cara, dá pra tirar legal sendo da classe média, sério! A gente faz feijão com arroz e pimenta da cara ou pão com ovo da melhor galinha! Vocês entenderam? Claro! Eis vossa vida, senhoras e senhores, nos trópicos os defeitos são perdoáveis.  Não aproveitam, porque pensam que podem que devem que deveriam, se fossem melhores estar fazendo outra coisa. De preferência, coisa muito desagradável.

Vocês viram o Serra na capa da Veja? “Preparei-me a vida inteira para ser presidente”, ou algo assim. Eis a maior razão, senhor, para acreditar que o senhor não presta para ocupar este cargo.



experimento para inconsquistável
20 de abril de 2010, 7:03 pm
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o texto não é bom (é meu). as imagens idem (sou eu). só uma experiência.

se não tivesse curtido não botava aqui e tal.



inconquistável
17 de abril de 2010, 9:28 pm
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Em minha Santos natal, folheio as Memórias Imorais do Eisenstein. Aconteceu de ontem assistir Outubro, uma pílula de incentivo à minha dolorosa saga “acadêmica” (uh), o pois o Trotsky, por bacana que escrevesse, tava é esfarelando minha paçoca. Tudo bom, tudo bem, por motivos mais fortes não terminei que assistir o Eisenstein, visto que eu chorava aos soluços há 35 minutos contados pelo programa de reprodução de vídeo – por vezes a sensibilidade atravessa a fronteira do ridículo. Ainda não estou preparada para falar sobre essa experiência, mas descobri que o cavalo branco pendurado na ponte elevada não chocou somente a mim, na segurança de minhas paredes.

Eu acho que deviam proibir a sonorização de uma porcentagem expressiva das fitas. Tem que constranger mesmo essa galera a aprender a fotografar. O Neville D’Almenida chama de cinema-mauricinho, eu tenho chamado pior. Fernando Meirelles é uma bosta. Murillo Salles é uma bosta. Bruno Barreto é o protozoário que mora dentro da bosta. Sérgio Biachi é uma ofensa a qualidade da palavra “brasileiro”, mas Daniel Filho ainda se esmera na proeza de ser o pior. Eu gostava do Walter Salles por causa de Terra Estrangeira, mas depois nunca mais voltou a acontecer. Tem que falar mal. Só pra começar. Tem que ficar falando mal mesmo. Acabar com essa cabacice de deixar quieto porque é brasileiro, porque é de exportação, como se aqui não tivesse o “muito melhor” que essa estética inconscientemente deslocada, sem o mínimo deboche, sem um nanometro, picometro (haha) de deboche. Por isso é que a única pica que eu contrato é a do Nelson Rodrigues, que aliás, como é bem sabido, é o único macho do mundo.

Chega de conversa mole,

INCONQUISTÁVEL

Em português claro, Arlete estava doida para dar. O noivo, tipo franzino e asmático, não comparecia ao ato, sempre alegando excesso de respeito pela cada vez mais desejosa Arlete. É verdade que ainda além disso, fosse a pequena também muito desejável, inclusive para as opiniões sempre muito contundentes e até ligeiramente rudes da mãe:

– Larga o osso, Arlete, está na cara que esse Fulano é viado!

Mas Anacleto também exibia algumas qualidades. Honesto, gentil e trabalhador, aparecia religiosamente pela manhã, de Wolks, no portão da noiva, para levar Arlete até o escritório, emprego que a pequena contraiu recentemente, tendo convencido Anacleto de que com a ajuda deste suado dinheirinho, mais depressa se uniriam em matrimônio, condição capital para que o sujeito liberasse a mixaria, que Arlete ansiava avidamente.

(…)

Coqueiro verde

Tomba mas não cai

A moça que se casa

Não namora mais

Se ela namorar

O coqueiro tomba e cai

Au-au



“mas afinal será que o amor não vale nada?”
15 de abril de 2010, 7:04 pm
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Ainda não sei se colou o Glauber.. depois de passar o trabalho por debaixo da porta da sala, já que a aula havia terminado precocemente, em virtude de um jogo do Corinthians! Pelo menos não faltou um verde, como no museu. Aí eu fui (ia) pra casa ouvindo o álbum mais de amor do mundo. Ele, lindo:

EXAGERADO – 1985

Eu que tanto reclamo das mulheres, por segunda opinião reclamo os viados. O que temos a vista aquém ou além de Ney Matogrosso? Não basta ser homossexual, tem que ser um viado, cadê ele? Depois que foram Cazuza, Caio Fernando, e a bicha chata do Renato Russo, não deu nada muito além de Machado. É uma pena.

E o Cazuza é o maior. “Eu acredito nas besteiras que eu leio no jornal/ Eu acredito no meu lado português sentimental/ Eu acredito em paixão e moinhos/ Mas a minha vida sempre briga comigo/ De porre em porre vai me desmentindo/ Será que eu sou medieval?/ Baby eu me acho tão atual!” De modos que (adoro de-modos-que) fiquei inspirada e bem disposta pra fuleragem.

Depois do terrível incidente com o gin, passei a me privar de lugares que chamo pejorativamente “baladinha”. Cheguei mesmo a jurar que jamais voltaria a frequentar esse tipo de estabelecimento, especialmente no contexto Augusta. Mas eles me pegaram pelo coração! Logo depois do Tim “não vou ficar não.. não.. não!”, já estava dizendo: Volta, volta – esse negócio de pagar a comanda pra fumar na porta é só aperriação – volta, que é Erasmo! De modos que, eu voltei a gostar do Astronete, não só porque eles tocaram Erasmo, isso já vem acontecendo há um tempo, não só porque o set list melhorou expressivamente, mas porque o dj conhecia Erasmo e não tocou algo óbvio, nem unânime. “Baby só por hoje esqueça o feminismo…” haha

Eu acho graça da resistência, mormente masculina, às letras do Erasmo. “Que escroto, isso é machismo!” Indisposição patológica, julgo, pois, na opinião desta mulher, pelo menos, o involuntário, esclarecido, quem sabe não posso ousar uma jornalistice e cagar termo?, “machismo libertário” do Erasmo é seguramente um de seus maiores charmes. Sexismo nenhum agride quando há doçura, respeito e humor, o importante é a discussão. E nisso Erasmo, e o Gil também!, estão muito acima de análises razas.

Olha que gracinha:

Como hoje eu estou irreconhecivelmente bacana, outro disco. Não é o que tem “Baby”, mas tem “Eu e Maria” do Vitor Martins! “Vou pular nu por ter coragem/E ela de calcinha e sutiã por preconceito” Qual é a mulher que vai ficar com raiva disso? É verdade, porra. “Olha lá, ela tá de farol aceso!”, mas não é assim que é bonito?

PELAS ESQUINAS DE IPANEMA – 1978

Sem desmerecer a nobreza da “pirataria”, pois continua sendo a maneira mais fácil, fácil até que dói, de conhecer as coisas rapidamente, confesso que ela não está mais me deixando satisfeita. Entrei no ciclo da “Insatisfação Permamente”, pelo menos no que se refere aos álbuns de música brasileira. Eu baixo pra conhecer, a maior graça é caçar o bolachão com aquela capa linda, retenção anal absoluta. Você quer ficar molhando aquela bolacha, passando álcool, comprando plastiquinho novo, soprando a agulha com um biquinho, mudando o lado, viajando o espírito Lado A, muito complementar ao espírito Lado B – que o pessoal suprimiu no disquinho digital por muita burrice -, enfim toda aquela punhetagem, aquela delicadeza colecionista, muito bem justificada pela qualidade sonora irrepreensível do vinil. De modos que ouvir mp3 por muito tempo tem me causado terrível cefaléia. Pura frescura.



pobre de mim!
14 de abril de 2010, 9:23 pm
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Outro dia escrevi no caderno amarelo: “Tenho um problema grave com a mediocridade. Quando me aparece uma atividade, eu a classifico em um dos seguintes grupos: 1-)nasci para isso; 2-)não consigo de jeito nenhum..”

Fazer o plano de trabalho sobre historiografia marxista para entregar hoje – ( 2 )

!

Marx roubou-nos a vida eterna, a minha e a do Otto Lara Resende. Pois exigimos que ele nos devolva a nossa alma imortal. (Nelson Rodrigues)

Calma aí, Nelson. Eu penso que está bem devolvida já..
Comer Nelson Rodrigues – ( 1 )

Acredito que se fosse mais inteligente, tivesse um baseado ou não estivesse tomada de pânico, até poderia engabelar, forjar alguma idéia malajambrada forrada de brasileirice, escrita no meu português desastrado. O professor é gringo. Que se foda, vai achar que existe um debate historiográfico marxista a respeito da obra dese tal de Nelson Rodrigues. Pior que deve ter. Claro que tem! Ou devia. Cariocar o trabalho do canadense. Bem podia o Leonardinho servir de debate marxista. Antonio Candido, seu comunista! Mas não, tinha que esse cara ser muito inteligente; e só ia me fazer desviar totalmente do assunto. Idiota: Antonio Candido não pode, porque ele não é historiador. Como não? Pois é!

Viu como é diferente trabalhar nesses termos?

Podia usar a antiga tese de bar que co-assino com Victor: “Vo te comê – José Mayer: o anti-Peréio” A dialética do comedor brasileiro, ué, por que não?

Eu sei, Dialética não é mais marxismo. Aliás análise marxista, marxista mesmo hoje em dia se usa bem em museu. Ou nem ali, sabe deus!

Eu estou nervosa, perceberam? É isso, é só o que faço comigo. Sempre. Mas vou dar um jeito, sempre tenho um valete na manga. Um pelo menos. É agora. Pronto, colou. Glaaaaauber! É o Glauber, cabou-se! E se me disserem que não, eu serei obrigada a perguntar “por que não?” “Afinal, veja bem, a cara não está se negando a trabalhar, só não quer fazê-lo de maneira desagradável.” Quem argumenta em favor do trabalho doloroso, contra o gozozo, está a um passo de defender o estupro.

Chego então na aula, esbaforida e preocupada, meu único jeito é, com toda a humildade (infelizmente não é meu forte – 2) dirigir perguntas ao professor para ajudar a recompor minha bibliografia assumidamente picareta. Torçamos para que caia no meu xaveco manjado (esse sim um ponto forte – 1). hahaha