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CAFONADA* (2008)
27 de maio de 2010, 11:02 pm
Filed under: Texto, Texto Antigo

Todos nós queremos dar a alma para o diabo

Mas temos medo que ele não a aceite.

Meu coração dói

E não é problema de saúde.

Tampouco se parece com minhas angústias juvenis

E sou jovem ainda

Apesar de falar do passado como quem viveu séculos

Vi uma aranha do tamanho de minha mão fechada

A caminhar com suas longas pernas e esforço

Minhas mãos fechadas apertam

Entre os músculos e ossos

Meu sangue dentro de minhas veias

Minha mão fechada, raiva

Minha mão fechada, segurança

Minha mão fechada, resistência

Minha mão fechada, porrada

Quanto o esforço dela é maior em minha mão fechada.

Meu coração-bomba

Minha consciência latejando

Minha cefaléia forte

Nenhum problema de circulação

Minha condição de fêmea

Dádiva de ver a cor de meu sangue

Sem que me fure de dor

Mas minhas veias são azuis,

Segundo minha pele invisível

Tratada a cremes

De textura brilhante

Minha candura romântica

De quem entendeu não sentir o coração

Ervas pacíficas, flores índicas, folhas atlânticas,

Frutos meridionais, fungos setentrionais

Que vão direto para o coração

Eu injeção

Mas não me interessa atingir o fundo

Pois é na superfície que enxergo a minha imagem

Água turva e trêmula

Por quem me debruço

Causando impacto

Minha consciência goteja

Sangue escuro do coração

*No caderno onde o encontrei, escrito a vermelho em letra de forma, está ornado com desenhos de corações e bundinhas, um mimo!

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