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vigiar e punir
6 de maio de 2010, 5:19 pm
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Porra, eu não tinha idéia de que isso aqui estava acontecendo.

Ainda não li suficientemente a respeito, mas divulgo imediatamente, para que pelo menos meus amigos não sofram mais da mesma doce ignorância minha.

O tal do ACTA se pretende um instrumento internacional para criminalizar trocas de bens imaterias via internet em falsa defesa da “propriedade intelectual”, termo atualmente mais do que discutível. Vai de encontro a qualquer projeto de desenvolvimento cultural, igualdade de expressão, liberdade individual, colaboração criativa (!)

aqui, alguns links que eu achei sobre essa porra:

http://www.outraspalavras.net/?p=921

http://diplo.org.br/Dossie-ACTA-para-desvendar-a

http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2010/03/468461.shtml

Cara, que coisa horrível. Parece aquele filme ruim do Truffaut, aquele de queima de livros. Parece ficção, porra, aquela escola de utopias negativas, futuro apocalíptico. Eu queria ser mais descolada em meu comentário, mas é fascismo mesmo, caralho. Eu poderia ser banida na rede por reincidência de infração! Eu poderia ser banida umas cinco vezes por dia por baixar meus filminhos no torrent e ainda semear, o que aposto, deve ser ainda mais grave.Futuramente eu talvez seja um indivíduo perigoso para a sociedade. hahaha

Agora, queria ver daonde ia tirar propriedadezinha tão sua aquele que não tivesse nascido nesse mundo. Bicho, eu acho que quem protege “sua propriedade intelectual” deveria ter todo o direito de enfiar ela no cu e rasgar até a nuca.



perdão tropical
29 de março de 2010, 10:29 pm
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Só porque fazia tempo que eu não punha minha cara pra falar as palavras alheias.

ERRATA: O festival que classificou Pra Não Dizer Que Não Falei das Flores como segunda colocada é o III, para que não haja confusão entre os abusivamente letrados.

Me perdoem qualquer coisa.

Mas não quero o perdão divino. Do vizinho fanático que passou um envelope pela minha porta. “À moradora Hana do 52″. Continha um panfleto evangélico, que rasguei assustada. Seria esse um resultado de possessão diabólica? Não acho muito engraçado. A preocupação alheia com minha vida me ofende e afronta. Quem deixou o tal vizinho fazer planos para mim? Compreendo a “boa intenção”, mas somente se o autor do ato não compreender o quão autoritária e preconceituosa ela é. Sei que estava o envelope junto à minha porta e justo a ela e não a alguma outra, por ser eu a moradora “Hana” do 52. O que levou o prestativo senhor a concluir que é seu papel me oferecer o caminho de Jesus? O sexo, as drogas ou o rock’n’roll?

Pensei em deixar-lhe um recado, cerimonioso, sugerindo que respeite os hábitos de uma jovem artista em ebulição física e espiritual. Depois pensei em convidá-lo, pessoalmente, para uma gira de umbanda, mesmo eu nunca tendo frequentado esta, aquela ou qualquer igreja. Que tal ele se sairia?

E eu que quero sair para a aula e esta chuva não deixa? Careço de guarda-chuva e me aparece jesus cristo. Nada mais impróprio, ora essa.

“O meu destino
Foi traçado no baralho
Não fui feito para trabalho
Eu nasci pra batucar
Eis o motivo
Que do meu viver agora
A alegria foi-se embora
Pra tristeza vir morar” (Noel Rosa & René Bittencourt)



sinto muito, não podemos ser amigos

não gostei nada do que vi. e não gostei de nada do que vi. o resto, não vi e não gostei. São Paulo, túmulo do samba. túmulo do róque. São Paulo às vezes parece mesmo uma sepultura destampada. eu que vivo no Bexiga, posso dizer que o samba & o rock não tem nada a ver com isso. agora, você passando o viaduto Martinho Prado e se empenhando na má idéia de subir a Augusta, vai encontrar em profusão caricaturas animadas de cadáver sem caixão.

afetação adolescente crônica ou distúrbio de personalidade mal diagnosticado, o caso é que aquelas pessoas trabalham para pagar suas fantasias. não me admira que desprezem o carnaval. devem se considerar uma espécie de vanguarda pós-carnavalesca. Carniceria, o point da carniça. realmente só encontrei carne podre. podem me chamar reacionária, Nelson Rodrigues, será a massagem que meu ego pede, depois de ficar espremido e enojado entre “convidados exóticos”, assim chamados pelos empregados da casa, localizada na Rua Augusta, o reino mal-assombrado da afetação adolescente – ou balzaquiana, para ser mais exata e justa.

oh meu deus!, acho que dessa vez não vai dar pra ser tão otimista. por que usar tapa-olho aquele que nunca enxergou? entre piratas, peruas, aparentes covers de village people e pessoas com objetos diversos presos na cabeça e calçados difíceis de entender, imagine para calçar!, nos pés, eu aguardei 60 traumatizantes minutos por um evento que não aconteceu, pelo menos diante de meus olhos, provavelmente os únicos que funcionavam direito naquele recinto – sem modéstia e muito menos medo de pecar por arrogância, tenho o benefício da certeza no que digo desta vez!

ironicamente, fui convidada para ver a estréia de um curta metragem. a estampa do convite: gosto duvidoso. o título: duvidosíssimo. uma produção “Neon Terror”. puxa vida, interessante. ingenuamente atraída pelas declaradas influências, a saber, Zé do Caixão, cinema marginal dos 70, pornochanchada &, essa eu deduzi, coberta de boa intenção, o neon-realismo da noite paulistana de 80, fui! pintei lá pra saber, levando meu rostinho bonito & meu corpinho sedutor de garota papo firme. não havia outro lugar mais desgraçado para eu estar naquele momento. decorado a facas, machadinhas, cutelos, facões e animais empalhados, o templo do mau-gosto que procurei evitar ficando plantada na porta, era pinto perto das aparições que entravam, fumavam e se saudavam efusivamente com esganiçados gritos histéricos que turvavam a audição já modestamente castigada pelo “neo-cowntry-punk-progressivo”, ou seja lá a merda que esse povo finge que ouve enquanto sai pra mostrar as penas novas do cocar que trouxe de Nova Iorque. um telão pequeno mostrava exaustivamente corridas de automóveis antigos, nada mais demodê, e o idoso slogan “live fast die young”, infelizmente desobedecido por 70% dos frequentadores da casa, que poderiam, agindo de modo diverso, amenizar meu trauma da noite passada. saí, antes do que esperava ser o ato final, mais do que abatida, abalada. o filme? não vi. e odiei. ser feioso é glamour demais pra mim.

poderiam, dentro daqueles aqueles corpos repugnantes ornados de objetos inverossímeis, olhos cobertos por, quando não tapa-olhos, igualmente desnecessários óculos aro de tartaruga, se identificar com a saúde do sexo praticado pela gostosa Branca das Neves ou pelo ingênuo Homem de Itu, muito embora santista como eu? aceitariam a dolorosa sugestão de que se assemelham divertidamente às bananeiras cenográficas dos musicais da Atlântida?

teriam, por descuido, ouvido alguma vez, no meio daquela gritaria neurótica, Mojica dizer que “Viva o Horror generoso e poético“?

eles sabem quem é Jairo Ferreira?

por que então a má fé de declarar influências mentirosas, inadvertidamente, atacando com desleixe a inteligência e a boa vontade de possíveis convidados que não estivessem saindo de uma cova destampada?

porém papai do céu é um carinha bacana. ainda na mesma noite, mesmo assombrada e sem dinheiro, encontro os meus e vamos alegremente sambar com os inofensivos e bonitinhos “hippies madá” no obscuro Bom Retiro. cerveja gelada. cachaça e baseado. uns baita duns vozeirão. caldinho de feijão. com linguiça, cadáver na comida, sem essa, não tenho pressa. delícia de carne morta, a única que encontrei no bendito túmulo do samba, cheio de viventes improvisando Partido Alto e exaltando Ataulfo Alves. tudo lindo. tenho um estranho tesão por pessoas bonitas. garotas de vestidos floridos e cabelões voluptuosos emoldurando rostos corados, rapazes de sapato sem salto e camisas abertas ou camisetas furadas. sou muito atrasada. adoro homens. por que me condenariam os viados, se eu não sou obrigada a sentir atração por eles, assim como eles não sentem por mim? por preconceito & maldade, estou gorfando pra eles. de modo similar, Rua Augusta, você não serve pra mim.

“Viva qualquer coisa” não é viva qualquer merda.



contra o 3d (PARTE I)
9 de março de 2010, 11:25 pm
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Pouco tenho lido jornais. Os “segundos cadernos” estão muito aquém daquilo que posso ver – são os meus olhos – da janela de minha casa, da janela do ônibus, da janela do windows, que seja!, que é a minha correspondência, meu telefone, minha biblioteca, minha discoteca e minha cinemateca, por que não? Cinema. E agora o cinema 3D, com vocês, ressucitado sei lá de que inferno depois de não empolgar muito nos anos 80 e 90 do século passado, segundo ouso me recordar, pois não encontro informações a esse respeito. Estou falando de “cineminha” com aqueles tecnoglasses vermelho/azul que existem sei lá há quantos mil anos. Lembra daqueles calendários com imagens para as quais se você olhasse fixamente durante não sei quanto tempo, via uma flor, um barato de mexendo, um caralho de asa? Eu era criança e aquilo virou moda. Por menos de ano. Bicho, nem as crianças achavam aquilo legal! “Tá, eu vi. Pronto. Acabou?” “Ai, meu beeem, mas é diferente. O “avatar” tem uma tecnologia suuuper não sei quê.” Essa tecnologia já existe há muito tempo e não me interessa se foi aprimorada, pois as grandes descobertas nunca (jamais!) precisaram do aperfeiçoamento técnico antes de se tornarem de uso corrente. Se está havendo algum tipo de inversão? Perfeitamente. Há um empreendimento milionário promovendo essa “produção”, que é, logicamente, restrita a quem detém a dita tecnologia 3D – no caso, o gênero humano, segundo penso – que, anacronicamente, não é difícil de se supor, se manterá inacessível por longas décadas, através de propaganda, merchandising, essas coisas que as pessoas compram naturalmente porque está para vender. Eu não vi, não quero ver e se acontecer que algum desgraçado me mostrar um bicho azul holográfico, eu vou gritar, eu vou ficar com medo que nem o índio quando viu a galinha portuguesa. Não interessa se a história é boa – aliás, não é.

Todos os elementos da natureza nos mostram, um a um ou todos ao mesmo tempo que o desequilíbrio ecológico gerado pelo avanço industrial e pela sobreposição de necessidades desnecessárias do atual modo de produção. Pode me chamar de exotérica, pode me chamar de marxista, ecologista (ecologia, vagabundo, não é sustentabilidade o nome não!), pode, pode, pode. Eu nunca disse que não podia. Aliás, a ideologia híbrida, cumulativa é seguramente um dos únicos apontamentos firmes que temos a respeito do pensamento do homem de nosso tempo. Enquanto isso, homens (?) jogam bombas na Lua. Eu assumo aqui minha posição radical: eu acho que quem jogar uma bomba na Lua, bem como todos os envolvidos, incluindo cúmplices involuntários que não hajam tentado impedir tamanha monstruosidade deveriam ser sumariamente executados. Soou muito soviético? Pois bem, troquemos um verbo por um que nos é mais familiar e caro: tem que torturar esses filhos da puta. A Lua é a coisa mais linda que existe e frequenta nosso pobre céu para ser amada e contemplada. Escreva um poema, componha uma canção, bata punheta pra Lua, mas pelo amor, não jogue uma bomba nela. A tecnologia usada para destruir a Lua será a mesma da Era do 3D. Imaginem essa época apocalíptica. E as ruas desertas. As ruas serão desertas sim, porque elas são perigosíssimas! As ruas só estão tomadas por causa da indústria automobilística. Mas certamente alguém já foi contratado para tramar o que irá substituí-la quando acabar o petróleo e as distâncias. Um cara, saudável, sozinho, em casa, vai a Paris, pobre Paris sem seus turistas. Mudaram-se para suas casas. E se a ficção é 3D, será a realidade 4D, ou mp6? .

– Eu vou continuar depois, tenho muito brasa ainda. E estou na febre do desabafo. Eu preciso ver a rua, são meus os olhos.