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nos anos 00 os cadáveres pararam de apodrecer
31 de dezembro de 2010, 4:55 pm
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então o negócio agora é botar pra feder pra alterar a tendência.

ou construir umas pirâmides de lego.

eu acho essa onda de vampirismo playmobil um tédio.

na minha paranóia de lego, chamaram a guarda portuária e um cara com um carrinho de brinquedo pra me pegar.

a cada esquina tem um maluco me observando. velho, jovem, a principio todos de camisa laranja. depois menina de bicicleta, velho de bengala, criança com cachorro, outros tipos, só pra disfarçar. velha com sacola é bom também.

procuro demais. mas não morro de medo. nem me sinto mal o tempo inteiro. dá pra acreditar?

os cachorros brigam. são cachorras. cachorrada. uma parece que está engessada. preta da pata branca, uma fera.

sei estórias que não lembro quem contou. são do meu avô para quem eu contar.

“mil novecentos e 2, dez, vinte, 30, 40, sabe como é, eram todos portugueses ou espanhóis, outra gente, tudo magrinho. o povo antigamente tinha outra força. hoje somos muito fracos, por causa da comida envenenada. antigamente carregavam 302kg pra mais. no ombro, no lombro, na cabeça e posso exagerar pro braço. era força sem gesso.” agora força é coisa de veado e tem preço.

mais alto que os pagamentos arredondados pra mais da companhia docas. sacanagem. ficava-se devendo quebrados redondos. ficava-se devendo.

e o céu em fúria nublava ou derramava, amarelava ou escurecia. essas mesmas pessoas com e sem uniforme passavam suas ruas, por suas vias. O céu é uma obrigação da paisagem. sacanagem.

todas as meninas são louras. todos os meninos tem o cabelo do neymar. todos são heróis, todas são gostosas. é assim que tem que ser. todo mundo tá certo.

irritantes são as moscas. mas parece que atrair moscas é humano e eu estou viva até que me expulsem do paraíso (de feras oxigenadas e prodígios da vila).

vinde a mim as moscas e eu as espantarei com os meus cigarros. fumar é humano e eu ainda estou viva.

não tem problema nem importância. a gente vai levando. carregando pra logo, no bolso.

aí nos acusam de frieza, morbidez, idiotice. e é difícil não morrer quando está escrito “vampiro” na nossa testa.

e tomara que a gente caia logo, com essa montanha de blocos de gelo na cara de um cabalista assustado, que vai dizer

“eita!”

e a gente

“ih.. pega nada!”

e ainda

“Feliz Ano Novo!”

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Marina Silva, nem que seja por bom gosto
28 de setembro de 2010, 6:25 pm
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deus me livre me envergonhar de arrogância juvenil logo numa hora dessas.

é questão de demonstrar lucidez em votos válidos.

perdoados, anistiados, muito bem.
não temos dívida eleitoral com essa geração errante.



duas – outra
6 de junho de 2010, 2:21 am
Filed under: Texto | Tags:

É de pequenino que se torce o pepino. Mirem meu mau exemplo: Com menos de pouca idade aprendi e decorei, ouvindo diariamente Os Saltimbancos, que “quando não se sabe fazer nada, mas nada mesmo, o lance é virar artista!” – Disto depreendemos a lição de não reproduzir para moles ouvidos infantis essa pederastia de Chico Buarque, caso não se queira desgraçar completamente a incipiente carreira de um brilhante.. contador, administrador, ou advogado.

Agora se justifica. Não quer estudar e tem mil recados pra quem estuda sem querer. Não trabalha e tem duas mil razões para a serenidade que por vezes lhe estampa o rosto de resto perturbado por emanações inferiores que reproduz,  acredita, com discrição.  Mas no caderno tem vez sua desforra. Para ele não há segredos, exceto o que sua própria consciência esfarrapada se nega a fingir que decifra. De resto é um gênio, ou acredita. O caderno fica pousado sobre a mesa porque a outra nem liga. Ah, quem dera desse uma espiada, fingisse interesse, pra incentivar uma amiga. Que nada. Lia tudo, no maior silêncio, interrompido por suas risadas. Queria uma entender da outra a piada. Talvez era até mais interessante se conversassem sobre o assunto. Não, qualquer coisa que se dissessem jamais chegaria a expressar o que se tencionasse dizer, especialmente o que não era necessário.

As coisas ditas só pioraram a situação. Se não fossem elas nada teria piorado. Eu tenho certeza, pois fui a mesma que criou agora essa condição. É para justificar que digam tantas coisas. Só para mim, que não interesso nem um pouco ao resto. O resto, se me toma como medida de qualquer bagulho, vão me julgar uma besta ou um deus, e o bagulho invariavelmente uma bosta. Então nem me perguntem o que significa para mim isto ou aquilo. Eu não sei, ora porra. Apenas sinta. Sonhe com um bagulho rosa e cores d’ovo bolorento e mole, amasse, manipule e lamba, faça assim ou assado e não me venha perguntar se então eu fiz também. Era sonho, que bobagem! – e eu nem sabia o que era, que adianta me condenar?

Vê-se o poder da retórica. Implorando por evitar perguntas assim mesmo eu as respondo, dissimuladamente a contragosto. Eu gosto de ser a vítima atacada, mesmo que para isso eu tenha que forjar terríveis situações de ofensas que jamais me atingiram. Piorei agora? Puxa, pareço poderosa nisso. Pois bem, dei a letra, mora?



CAFONADA* (2008)
27 de maio de 2010, 11:02 pm
Filed under: Texto, Texto Antigo

Todos nós queremos dar a alma para o diabo

Mas temos medo que ele não a aceite.

Meu coração dói

E não é problema de saúde.

Tampouco se parece com minhas angústias juvenis

E sou jovem ainda

Apesar de falar do passado como quem viveu séculos

Vi uma aranha do tamanho de minha mão fechada

A caminhar com suas longas pernas e esforço

Minhas mãos fechadas apertam

Entre os músculos e ossos

Meu sangue dentro de minhas veias

Minha mão fechada, raiva

Minha mão fechada, segurança

Minha mão fechada, resistência

Minha mão fechada, porrada

Quanto o esforço dela é maior em minha mão fechada.

Meu coração-bomba

Minha consciência latejando

Minha cefaléia forte

Nenhum problema de circulação

Minha condição de fêmea

Dádiva de ver a cor de meu sangue

Sem que me fure de dor

Mas minhas veias são azuis,

Segundo minha pele invisível

Tratada a cremes

De textura brilhante

Minha candura romântica

De quem entendeu não sentir o coração

Ervas pacíficas, flores índicas, folhas atlânticas,

Frutos meridionais, fungos setentrionais

Que vão direto para o coração

Eu injeção

Mas não me interessa atingir o fundo

Pois é na superfície que enxergo a minha imagem

Água turva e trêmula

Por quem me debruço

Causando impacto

Minha consciência goteja

Sangue escuro do coração

*No caderno onde o encontrei, escrito a vermelho em letra de forma, está ornado com desenhos de corações e bundinhas, um mimo!



Pirata & Chacrete
18 de maio de 2010, 2:00 pm
Filed under: Vídeo | Tags: ,


vigiar e punir
6 de maio de 2010, 5:19 pm
Filed under: Protesto | Tags: ,

Porra, eu não tinha idéia de que isso aqui estava acontecendo.

Ainda não li suficientemente a respeito, mas divulgo imediatamente, para que pelo menos meus amigos não sofram mais da mesma doce ignorância minha.

O tal do ACTA se pretende um instrumento internacional para criminalizar trocas de bens imaterias via internet em falsa defesa da “propriedade intelectual”, termo atualmente mais do que discutível. Vai de encontro a qualquer projeto de desenvolvimento cultural, igualdade de expressão, liberdade individual, colaboração criativa (!)

aqui, alguns links que eu achei sobre essa porra:

http://www.outraspalavras.net/?p=921

http://diplo.org.br/Dossie-ACTA-para-desvendar-a

http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2010/03/468461.shtml

Cara, que coisa horrível. Parece aquele filme ruim do Truffaut, aquele de queima de livros. Parece ficção, porra, aquela escola de utopias negativas, futuro apocalíptico. Eu queria ser mais descolada em meu comentário, mas é fascismo mesmo, caralho. Eu poderia ser banida na rede por reincidência de infração! Eu poderia ser banida umas cinco vezes por dia por baixar meus filminhos no torrent e ainda semear, o que aposto, deve ser ainda mais grave.Futuramente eu talvez seja um indivíduo perigoso para a sociedade. hahaha

Agora, queria ver daonde ia tirar propriedadezinha tão sua aquele que não tivesse nascido nesse mundo. Bicho, eu acho que quem protege “sua propriedade intelectual” deveria ter todo o direito de enfiar ela no cu e rasgar até a nuca.



6 de maio de 2010, 2:39 pm
Filed under: Vídeo

hahahaha