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Em minha Santos natal, folheio as Memórias Imorais do Eisenstein. Aconteceu de ontem assistir Outubro, uma pílula de incentivo à minha dolorosa saga “acadêmica” (uh), o pois o Trotsky, por bacana que escrevesse, tava é esfarelando minha paçoca. Tudo bom, tudo bem, por motivos mais fortes não terminei que assistir o Eisenstein, visto que eu chorava aos soluços há 35 minutos contados pelo programa de reprodução de vídeo – por vezes a sensibilidade atravessa a fronteira do ridículo. Ainda não estou preparada para falar sobre essa experiência, mas descobri que o cavalo branco pendurado na ponte elevada não chocou somente a mim, na segurança de minhas paredes.
Eu acho que deviam proibir a sonorização de uma porcentagem expressiva das fitas. Tem que constranger mesmo essa galera a aprender a fotografar. O Neville D’Almenida chama de cinema-mauricinho, eu tenho chamado pior. Fernando Meirelles é uma bosta. Murillo Salles é uma bosta. Bruno Barreto é o protozoário que mora dentro da bosta. Sérgio Biachi é uma ofensa a qualidade da palavra “brasileiro”, mas Daniel Filho ainda se esmera na proeza de ser o pior. Eu gostava do Walter Salles por causa de Terra Estrangeira, mas depois nunca mais voltou a acontecer. Tem que falar mal. Só pra começar. Tem que ficar falando mal mesmo. Acabar com essa cabacice de deixar quieto porque é brasileiro, porque é de exportação, como se aqui não tivesse o “muito melhor” que essa estética inconscientemente deslocada, sem o mínimo deboche, sem um nanometro, picometro (haha) de deboche. Por isso é que a única pica que eu contrato é a do Nelson Rodrigues, que aliás, como é bem sabido, é o único macho do mundo.
Chega de conversa mole,
INCONQUISTÁVEL
Em português claro, Arlete estava doida para dar. O noivo, tipo franzino e asmático, não comparecia ao ato, sempre alegando excesso de respeito pela cada vez mais desejosa Arlete. É verdade que ainda além disso, fosse a pequena também muito desejável, inclusive para as opiniões sempre muito contundentes e até ligeiramente rudes da mãe:
- Larga o osso, Arlete, está na cara que esse Fulano é viado!
Mas Anacleto também exibia algumas qualidades. Honesto, gentil e trabalhador, aparecia religiosamente pela manhã, de Wolks, no portão da noiva, para levar Arlete até o escritório, emprego que a pequena contraiu recentemente, tendo convencido Anacleto de que com a ajuda deste suado dinheirinho, mais depressa se uniriam em matrimônio, condição capital para que o sujeito liberasse a mixaria, que Arlete ansiava avidamente.
(…)
Coqueiro verde
Tomba mas não cai
A moça que se casa
Não namora mais
Se ela namorar
O coqueiro tomba e cai
Au-au